segunda-feira, 28 de abril de 2014

Como colaborar com o blog da Sapere Aude! Livros

Os clientes e amigos da Sapere Aude! Livros estão convidados a colaborar com o nosso blog. O processo é bem simples: basta enviar para o endereço info@sapereaudelivros.com.br um texto que possa ser publicado em uma das seções abaixo: 

MEU LIVRO PREFERIDO - todas as segundas-feiras, publicamos depoimentos de clientes e amigos da Sapere Aude! Livros sobre seus livros preferidos; as postagens vem acompanhadas de breve currículo e fotografia do autor.

LIVROS ESSENCIAIS PARA PESSOAS NEM TANTO... - todas as quintas-feiras, publicamos uma coluna de humor no qual o foco são os livros cujos títulos ou ilustrações sejam bizarros, divertidos ou insólitos. Mande-nos a imagem da capa e uma legenda sugerida. 

LEITURAS OBRIGATÓRIAS - todas as quintas-feiras, publicamos resenhas de livros considerados relevantes no panorama da literatura universal. Os textos devem apresentar um breve sumário das obras e uma análise de seu conteúdo e importância. A coluna é assinada por Robertson Frizero, mas aceita colaboradores.

CRIAÇÃO LITERÁRIA - todas as sextas-feiras, publicamos textos sobre o fazer literário, seja explicando um gênero literário ou trazendo dicas sobre a escrita criativa. Os textos deverão versar sobre esses temas.

VOCÊ SABE?!? - todas as sextas-feiras, publicaremos textos sobre curiosidades do mundo das artes. A coluna é assinada por Mires Batista Bender, mas aceita colaboradores.

COLUNISTAS - envie ao curador do blog seus textos, com um breve currículo e fotografia de rosto; caso haja interesse, entraremos em contato. Esses textos serão publicados na coluna Crônica da Semana, toda quarta-feira, aberta a todos os colaboradores.

Os textos submetidos passarão pela análise do curador do site e comunicaremos aos autores quando de sua publicação. Sugerimos que os candidatos visitem o blog e observem como estão sendo escritos os textos para as seções indicadas. Na coluna ao lado, há uma listagem das seções.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Com a palavra... CLARICE LISPECTOR

Clarice Lispector
"Bem, escrevi várias coisas antes de publicar meu primeiro livro. Eu escrevia para revistas — contos, jornais. Eu ia com uma timidez enorme, mas uma timidez ousada. Eu sou tímida e ousada ao mesmo tempo. Chegava lá nas revistas e dizia: “Eu tenho um conto, você não quer publicar?” Aí me lembro que uma vez foi o Raimundo Magalhães Jr. que olhou, leu um pedaço, olhou para mim e disse: “Você copiou isso de quem?” Eu disse: “De ninguém, é meu”. Ele disse: Você traduziu?” Eu disse: “Não”. Ele disse: “Então eu vou publicar”. Era sim, era meu trabalho."

- Clarice Lispector é uma das mais conhecidas escritoras brasileiras. Nascida na Ucrânia, em uma família judia, e trazida para o Brasil ainda bebê, cresceu em Recife. Sua literatura é considerada única no panorama da literatura nacional. O New York Times classificou-a certa vez como o Franz Kafka da literatura latino-americana.  Além de escritora, trabalhou como tradutora de obras de Edgar Allan Poe, Oscar Wilde e Anne Rice. O trecho acima transcrito foi extraído de sua última entrevista, concedida ao jornalista Júlio Lerner, da Tv Cultura, em 1977 - veja aqui o vídeo na íntegra.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Meu livro preferido é... O MESTRE E MARGARIDA

"O Mestre e Margarida, de Mikhail Bergakov, é um grande livro sobre a luta do amor para triunfar sobre as forças do mal e a magia negra. É simplesmente o livro mais fantástico que eu já li. Li uma vez e reli quase que imediatamente depois de terminá-lo." 

- Daniel Radcliffe é um dos mais famosos atores britânicos de sua geração, internacionalmente conhecido por ter protagonizado a franquia de filmes "Harry Potter".

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O inferno e as histórias longe do céu



por Gabriela Silva

Daniela Langer
 No inferno é sempre assim- e outras histórias longe do céu, é o nome da coletânea de contos de Daniela Langer. O livro se divide em duas partes: “histórias longe do céu” e “no inferno é sempre assim”, num total de onze narrativas. A obra foi escolhida como primeiro lugar do Prêmio Maíra de Literatura 2012.
“Morrente” é a primeira história, uma pequena profecia: um dia a rotina tomara conta da vida de um casal, nas suas ações, nos seus objetos e fatidicamente nos seus sentimentos.
“Às moscas” é uma narrativa sobre a miserável existência de um homem. Tendo como epígrafe o poema “O bicho” de Manuel Bandeira, o conto mostra a desfavorável luta de um homem faminto com a imagem de uma mosca numa vitrine de doces. À mosca, a fartura; ao homem, a fome corroedora até do juízo.
Dedicado a Caio Fernando Abreu, o conto “para alguém que viu partindo” é sobre a relação de isolamento e necessidade que vivem duas pessoas num relacionamento. Entre os desejos impostos pela vontade humana e a fragilidade de um indivíduo frente ao outro, despem-se as mais singelas intenções.
E um leitor de Cortázar não deixa de sorrir ao começar a leitura de “como que fora do tempo”, quarta narrativa da primeira parte do livro.  Uma lembrança que se desenrola como uma casca de pêssego; no caldo da fruta, o fantástico de Wells e Lugones. Imagens que se complementam como num sonho exótico em fragmentos de tempo que abrangem anos ou apenas o curto momento de acendimento de um fósforo.
Morte, memória, medo e reflexo são as ideias centrais do conto “das horas que se derramam”. O protagonista encontra no reflexo de um vidro a memória que se estende até a morte da mãe.  O percurso pela casa vazia é a distância entre o hoje e a juventude.
“Em todas as portas” é um conto sobre o fim. Um relacionamento que é terminado por telefone, a necessidade da busca de explicações, o passado desbotado, o corpo tentando acompanhar a mente que rápida busca em seus arquivos as exigidas justificativas que o abandonado precisa. Ruas, sons, cheiros, cores e pessoas. A nitidez perdida ao desenfreado passo para algum lugar.
A segunda parte da obra é composta por cinco narrativas, começa com a história de Marianna, uma menina que vive uma adolescência do modo mais tranquilo possível: verão com a família, na praia, brincando com as amigas e aproveitando os dias de sol e chuva que compõem a vida. A chegada do primo Lucas, com seus cabelos revoltos e o dragão tatuado nas costas, é que muda a atmosfera da temporada de estio. Descobriu-se apaixonada; primeiro, pela chegada do primo que ela havia visto poucas vezes. Depois, pelo primo, pela beleza, pela ideia toda que era ele. Mas como a morte é irmã do sono, num sonho de mar e sol, o primo era jogado à areia pelas mãos de outros que o tentaram salvar, “lambido de sol” jazia o primo e seu dragão à beira do verão de Marianna. É essa a história contada em “primo Lucas”.
“No fundo das metáforas” é um conto sobre todas as coisas que pensamos ser de um modo, ditas de outro e vividas de uma terceira e inusitada maneira. Um jogo de futebol, uma chuva que enlameia tudo e um bando de meninos que para se distraírem não se importam de encharcar as roupas e voltar espirrando pra casa. Mas entre um chute e uma goleira, entre uma chuteira e a poça de água da chuva o mundo e o tempo correm a desgosto da vontade da gente.

“No inferno é sempre assim” é uma narrativa permeada de uma tristeza que não se dissolve: um menino e os enganos de um dia quente de verão. O cotidiano inexpressivo e a vontade amarga de vender todos os doces da caixa que carregava consigo é o que move o protagonista ao desfecho do conto, que justifica em cada palavra seu titulo.
Imagens que quase podemos tocar é uma boa definição para o conto “a metade do um”. Nele, a construção narrativa não é apenas densa como engendramento de personagens e de ações, mas como espaço físico. Uma fotografia em que as cores e as sensações de corpos e temperaturas são construídas como se pudessem interagir com o leitor.
A dor e o prazer de encontrar alguém que há tempos não víamos. A estranheza de encontrar por acaso alguém que deixamos não por acaso, mas com toda a certeza da ausência e do adeus. Perceber seu rosto e exercitar a arqueologia em suas rugas e no que o tempo gravou na pele. Essas ações compõem o quadro do conto “A arqueologia das práticas” em que duas personagens se encontram num supermercado em gôndolas de frutas e gavetas de memória.
O que torna esse livro tão interessante e reconhecido? Uma particularidade que é também virtude: o poder da construção de imagens, de símbolos. Daniela Langer cria um universo particular de metáforas, de antessalas de referências, de preferências de leitura e de criação. É seu gênero escolhido o conto, é sua qualidade estética o imagético engendramento de seres e ambientes, de vidas e mortes que ela oferece ao leitor. Cada fragmento de texto criado pela autora é único, seja na escolha verbal apurada, repleta de delicadezas, mesmo quando se refere a dor, a miséria e a morte, ou ainda nas estratégicas imagens que elabora e que ficam reverberando na mente do leitor.

*Gabriela Silva é doutora em Letras pela PUCRS, professora de Literatura e ensaísta. É uma das coordenadoras da Breviário Cursos e do Sarau das Seis.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Meu livro preferido é... PERSUASÃO

"A história uma jovem que quer se casar por amor mas é persuadida pelo pai a esquecer isso. Esse romance menos conhecido de Jane Austen é selvagem e pungente. Todo mundo tem sua Austen preferida, e esta é a minha. A história fica dentro de você muito tempo depois de terminar o livro." 

 

- Nigella Lawson é uma jornalista, escritora, chef e apresentadora de televisão. Seus programas de culinária inovadores arregimentam fãs mundo afora. Além disso, ela é uma grande leitora de ficção e escreve colunas semanais nos principais jornais de língua inglesa. 

quinta-feira, 27 de março de 2014

Daimon e os nossos fantasmas



por Gabriela Silva
 
Nelson Rego

Daimon junto à porta é o nome do conjunto de contos escrito por Nelson Rego, um nome a ser lembrado: o livro foi escolhido como o Melhor Livro na categoria conto, pelo júri do Prêmio Açorianos 2011, também segunda colocação no Prêmio Sofia de Literatura 2012 e no Prêmio Maíra de Literatura 2012. Justo, e explicamos. Desde a primeira página o autor percorre diferentes âmbitos, com histórias diversas em que perpassam um sentido obscuro mas identificável pelo leitor.


A primeira história é “Platero e o mar”, em que arte, sexualidade e sedução convivem com jovens e uma artista e uma arquiteta. Inocência e Lara contracenam com o narrador, que, com olhos delicadamente observadores, percebe todas as nuances dos acontecimentos ao seu redor. Inocência é a alegoria sobre seu próprio nome, assim como os deuses eram nomeados e correspondiam ao que “controlavam” ou representavam.
A capacidade de falar com os mortos é o tema de “Recital dos mortos”. Seu Seis, personagem apresentado pela narradora, é um homem que, frequentando uma casa de médiuns, começa a falar com os mortos. Enuncia listas enormes de mortos e das formas como morreram. As listas eram tão grandes quanto às filas que se formavam em torno da casa, filas de pessoas desesperadas por uma notícia de seus mortos. Mas não é apenas Seu Seis que ouve os mortos. Alguém mais vê, ouve e pode entender o que se passa. Até mesmo descobrir que o velho não é apenas um canal de comunicação entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
“É pesado esse balde, Chica” provoca o leitor com a sensação do acaso, dos estranhos acontecimentos que provocam nosso conhecimento. Uma menina que busca água todos os dias, num poço distante da casa da avó, é abordada por um homem misterioso, que entabula uma conversa repetitiva e confusa. O caminho desviado, o caminhante sinistro que atravessa o caminho do homem e da menina e a chegada à casa da avó, são os pontos de ancoragem do conto.
O cotidiano de um casal é mostrado no conto “2.222 cisnes brincando de locomotiva e vagões”. Já no título o conto mostra seu tema: o encadeamento de dois seres, a persecutória convivência no casal que dorme abraçado, o desejo que sendo instinto deixa de lado as convenções.
Por sua vez, “A tecelagem do mal” apresenta um casal nada convencional. Um padre chamado ao exercício do exorcismo é envolvido por uma criatura sinistra, nem por isso pouco bela, que lhe aparece no meio do caminho, depois de uma sessão de exorcismo. Ela torna-se sua companheira e “tece” em seu ventre uma filha.
Que tal um diálogo non sense entre duas personagens que apresentam a história de uma terceira? É o que acontece em “Na verdade é isso aí, ó”. O conto é a conversa entre dois amigos sobre uma mulher e a total inaptidão de aprender um idioma. Após percorrer diversos lugares, deixar o filho para adoção e trabalhar como doméstica, a mulher é vista por um dos rapazes como alguém muito interessante. Os sonhos da imigrante são permeados de símbolos que, segundo ele, renderiam um excelente filme.
E lembrando Jorge Luís Borges, o autor no leva a um obscuro bar chamado Nihil, no conto que leva o mesmo nome.  Depois de um dia de trabalho, um homem se depara consigo mesmo e diversas sombras ao visitar o bar. Um lugar que ele estivera à procura a vida toda.
A dicotomia entre juventude e velhice é o que conta a narrativa “Permanecendo” em que uma modelo absorve a arte e torna-se parte dela.
Frases filosóficas perdidas na praia são o mote do diálogo entre as personagens de “A boca do jarro”: uma bela jovem e um velho filósofo. Discutem-se questões sobre a existência, a casualidade e a inconstância dos acontecimentos.
“Um pedacinho do tempo diante dos olhos” é a história que fecha o livro. Retomando as personagens da primeira narrativa, “Platero e o mar”, o narrador agora nos fala da fotógrafa Elena Inéz, e de suas fotografias permeadas de circularidade e vida. A relação entre o narrador e Inocência e a sexualidade mediada pela fotógrafa, como objeto de representação, são os alicerces do conto.
Essas são as histórias que compõem Daimon junto à porta. Um conjunto de contos marcados pela diversidade de suas focalizações, pela capacidade de oferecer ao leitor o mergulho por universos complexos engendrados por seus protagonistas. Na contracapa do livro encontramos a explicação para dâimon: “é a potência para se perseguir o que faz falta”, definição já existente desde os gregos antigos. E é o que fazem as personagens de cada conto que compõe a obra: buscam amor, explicações, inocência, luxúria, desejo, negação, sabedoria e, acima de tudo, a essência da vida.

*Gabriela Silva é doutora em Letras pela PUCRS, professora de Literatura e ensaísta. É uma das coordenadoras da Breviário Cursos e do Sarau das Seis. 

Dentro do livro, mil e uma utilidades

Desde o século XV, publicam-se almanaques. Menos comuns nos dias de hoje, eram publicações anuais disputadas em um passado não muito distante, no qual as informações não fluiam com a rapidez e amplitude que a internet nos proporciona hoje. O primeiro almanaque em português saiu em 1496.

Os almanaques, além de terem a função de nossas modernas agendas, traziam informações diversas, do calendário lunar aos solstícios, de dicas sobre como descobrir se as frutas estão maduras a informações menos úteis, como o manual acima apresentado, retirado de um raríssimo exemplar existente na Sapere Aude! Livros de um almanaque francês de 1927: um guia ilustrado sobre como descrever a fisionomia das pessoas.