quarta-feira, 8 de maio de 2013

CLUBE DE LEITORES inicia com "O Grande Gatsby"

Encontros gratuitos e extensivos a todos interessados iniciam na próxima semana, 15 de maio, na Sapere Aude! Livros

O "Grande Gatsby", livro de F. Scott Fitzgerald será o tema do primeiro debate promovido pelo Clube de Leitores da Sapere Aude! Livros. O tema pega carona na estreia da nova adaptação do livro para os cinemas – prevista para o mês de junho no Brasil –, desta vez, por Baz Luhrman.

A atividade do Clube de Leitura é gratuita (inscrições pelo e-mail info@sapereaudelivros.com.br) e vai ocorrer no dia 15 de maio, das 19h30min às 21h, na livraria localizada na rua Lopo Gonçalves, nº 33, em Porto Alegre, RS.
Edição da Bestbolso, O GRANDE GATSBY,
 de F. Scott Fitzgerald


A iniciativa, desenvolvida com a Breviário Cursos, tem o objetivo de resgatar a antiga tradição dos clubes de leitura – reuniões entre amigos que apreciam literatura e juntam-se, periodicamente, para comentar um mesmo livro.

A coordenação dos encontros será de Robertson Frizero, mestre em Letras pela PUCRS e professor de Criação Literária.


Confira as datas e os títulos dos próximos encontros:
  • "As Aventuras de Pi", de Yann Martel, e "Max e os Felinos", de Moacyr Scliar - 19 de junho de 2013
  • "Inferno", de Dan Brown - 17 de julho de 2013


Foto: Alexandre Alaniz


O QUÊ: debate sobre o livro O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, coordenado pelo escritor e professor de Criação Literária, Robertson Frizero
ONDE: Sapere Aude! Livros – rua Lopo Gonçalves, 33, bairro Cidade Baixa, Porto Alegre, RS
QUANDO: 15 de maio de 2013, das 19h30min às 21h
COMO: inscrições gratuitas pelo e-mail info@sapereaudelivros.com.br

A cantada mais romântica de todas

E que mulher resistiria a um homem romântico que lhe perguntasse, olhos nos olhos: "Você quer ser a minha couve-de-bruxelas?". Um livro para as almas mais sensíveis.

Dentro do livro, sonegação de impostos

Certificado do 'Bolão do ICM' do governo Jair Soares
Nossa equipe encontrou um marcador de livros que é parte da história recente do Rio Grande do Sul. Durante o Governo Jair Soares (1983-1987), para aumentar a arrecadação de impostos no estado, a Secretaria de Fazenda lançou uma campanha na qual a população trocava notas fiscais por cupons como o da fotografia acima, com os quais concorriam a sorteios de prêmios variados. Era uma maneira de o governo, a partir das notas fiscais arrecadadas, comparar os impostos recolhidos e declarados pelos estabelecimentos comerciais com aquilo que realmente circulava no estado, combatendo assim a sonegação de impostos.

Soares (D) recebe o ex-governador do RS Leonel Brizola (E) no Palácio Piratini

Jair Soares (1933), hoje no PP, venceu as primeiras eleições diretas para governador do RS pelo então PDS, superando seu principal opositor, Pedro Simon (PMDB), por uma margem inferior a 1% (um por cento) dos votos. Curiosamente, os três candidatos de oposição a Soares naquelas eleições - Simon, Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT) - viriam a ser eleitos governadores do estado em eleições posteriores. Soares havia sido anteriormente ministro da Previdência Social entre 1979 e 1982. Sua última candidatura para um cargo majoritário foi em 2004, quando perdeu as eleições para prefeito de Porto Alegre para José Fogaça (PMDB). 


terça-feira, 7 de maio de 2013

Com a palavra... BERNARDO CARVALHO

"Meus livros são a consequência de algo que já existia, e que talvez eu nem tivesse tanta consciência antes de escrever. Hoje há uma espécie de confusão entre ficção e realidade que é muito perturbadora. Fico impressionado com a vulgaridade do Brasil. Na internet não há distinção entre notícias sobre celebridades da TV e assuntos importantes, como a guerra. É um culto à ignorância e à grosseria em nome do comércio. Meus livros tentam ser um antídoto a essa mentalidade, pois demandam esforço. O leitor é ativo e funciona como o cocriador da obra."

- Bernardo Carvalho é um dos mais consagrados escritores brasileiros da atualidade. Nasceu no Rio de Janeiro, em 1960, e tem entre seus livros de ficção os premiados "Nove Noites" (Prêmio Portugal Telecom) e "Mongólia" (Prêmio Jabuti).

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Meu livro preferido é... BLEAK HOUSE

"Meu autor favorito sempre foi Charles Dickens. Lembro-me de minha mãe lendo Bleak House (A Casa Abandonada) para mim quando eu ainda era uma menina. Cheguei a entrar em tratativas com a MGM para escrever um roteiro para que o romance fosse levado às telas. Assinamos um contrato, fiz o primeiro rascunho do trabalho e a produção do filme começaria na primavera de 1962, mas não foi adiante, o projeto simplesmente desapareceu. Bleak House é o romance de Dickens que contém um dos arranjos mais vasto, complexo e curioso de personagens secundários e subtramas. Trata de um caso judicial absurdo e é tão memorável que levou a Inglaterra à reforma legal de 1870."

Agatha Christie (1890-1976) foi uma das mais famosas escritoras britânicas. Conhecida pelos romances e contos policiais, também foi uma profícua dramaturga, sendo sua A Ratoeira a peça teatral há mais tempo em cartaz em todo o mundo, tendo estreado em 1952. Se tivesse conhecido a Sapere Aude! Livros, certamente aprovaria o seu clima de mistério e sua vasta coleção de livros da própria autora.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A Novela Literária


A novela literária é um recorte da vida do protagonista


A novela literária é um gênero literário quase invisível para o público em geral. No entanto, estamos em um momento no qual se produz cada vez mais novelas literárias - o paradoxo é fácil de ser explicado: por uma questão de mercado, muitas novelas literárias - que os anglófonos chamam de novellas - são classificadas como romances, quer seja por certa nobreza que tal nome traz à obra, quer seja pela natural confusão que a denominação novela causa, no Brasil, com as populares telenovelas.

Em termos estruturais, a novela literária é uma forma narrativa intermediária, se levarmos em conta sua extensão, entre o conto e o romance. Apresenta todos os elementos estruturais desse último, mas de maneira reduzida, em geral na composição de uma trama unilinear, ou seja, que segue o destino de um único personagem. Por seu caráter econômico em relação ao romance, na novela literária são enfatizadas as ações mais que as descrições ou análises, o que lhe dá um caráter mais próximo do drama; ainda por conta disso, a novela gira em torno dos momentos de crise que levam à solução rápida dos conflitos no final da obra. É comum, assim, que o clímax e o desfecho sejam coincidentes em uma novela bem estruturada[1].


Em relação aos personagens, a novela literária não é mais um flagrante – como no conto –, mas um recorte de suas vidas explorado com intensidade pelo autor. Nesse sentido, a novela literária é mais resumida que o romance, já que este pode retratar longos períodos ou mesmo a vida inteira de seus personagens.

Algumas novelas literárias estão entre os maiores clássicos da literatura

A seguir, trazemos uma breve lista de obras que podem ser classificadas como novelas literárias. Algumas delas estão entre as obras-primas da literatura universal - e permitem um mergulho profundo na alma humana, mesmo com sua extensão curta em relação aos romances. É uma boa lista de sugestões de leituras para seus próximos meses - e para todos os gostos:

Bartleby, o Escriturário, de Herman Melville
Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski
Manhã Transfigurada, de Luiz Antonio de Assis Brasil 
A Festa no Castelo, de Moacyr Scliar 
A Hora da Estrela, de Clarice Lispector 
Aura, de Carlos Fuentes 
O Alienista, de Machado de Assis 
O Amante, de Marguerite Duras 
Terra e Cinzas, de Atiq Rahimi 
O Perdido, de Hans Ulrich Treichel 
Seda, de Alessandro Baricco 
Autobiografia de um Ex-Negro, de James Weldon Johnson 
Este é o Meu Corpo, de Filipa Melo 
Crônica de uma morte anunciada, de Gabriel Garcia Marquez 
O Náufrago, de Thomas Bernhard 
Longe da Água, de Michel Laub 
O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago 
A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói 
A Morte em Veneza, de Thomas Mann 
A Dócil, de Fiódor Dostoiévski 
A Fera na Selva, de Henry James 
Breve Romance de Sonho, de Arthur Schnitzler 
O Visconde Partido ao Meio, de Italo Calvino 
Noturno Indiano, de Antonio Tabucchi 
Bom-crioulo, de Adolfo Caminha 
Noite, de Erico Verissimo 
A Lentidão, de Milan Kundera 
Seymour, uma Apresentação, de J. D. Salinger 
Notas do Subterrâneo, de Fiódor Dostoiévski 
O Jardim de Cimento, de Ian McEwan 
Estive em Lisboa e Lembrei de Você, de Luiz Ruffato 
A Queda, de Albert Camus 
Um Copo de Cólera, de Raduan Nassar 
A Sombra de Innsmouth, de H. P. Lovecraft 
Carmilla, A Vampira de Karnstein, de Sheridan Le Fanu 
Os Mortos, de James Joyce 
Bola de Sebo, de Guy de Maupassant 
Um Grito de Amor do Centro do Mundo, de Hyoichi Katayama
A Hora e a Vez de Augusto Matraga, de Guimarães Rosa 


*Texto de Robertson Frizero - escritor, professor de Criação Literária e Mestre em Letras pela PUCRS.





[1] SOARES, Angélica. GÊNEROS LITERÁRIOS. São Paulo: Ática, 1993.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pierre, Andrei, Natasha e as três faces da Rússia

O baile retratado em Guerra e Paz:
 Andrei e Natasha dançam pela primeira vez.
Resumir toda a ação apresentada neste que é ainda hoje considerado o maior romance de todos os tempos é uma tarefa hercúlea e ingrata. Não por conta da extensão de Guerra e Paz, que soma mais de mil e trezentas páginas, mas pela riqueza de episódios e talento narrativo de Liev Tolstói.

O livro, escrito durante seis anos e publicado pela primeira vez em 1863, por capítulos, em um jornal de São Petersburgo, nasceu de um descontentamento de Tolstói com a historiografia russa. Para o escritor, a História era contada de modo frio e distante, dando ênfase exagerada aos grandes feitos de seus principais atores, mas ignorando os resultados dessas decisões de alto escalão na vida do cidadão comum. Como o Victor Hugo de Os Miseráveis, Tolstói usa um imenso pano de fundo histórico para, a partir dele, contar os horrores da guerra no olhar de personagens individualizadas e realistas.

O cenário escolhido por Tolstói é o das Guerras Napoleônicas, e por uma razão bem definida: para o escritor, aqueles acontecimentos históricos marcaram o nascimento da moderna nacionalidade russa e é nesse sentido que Guerra e Paz torna-se um romance rico e cativante. Poucos anos depois da Revolução Francesa, a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder, no chamado Golpe do 18 Brumário - em nove de novembro de 1799 - e, posteriormente, na aclamação como Imperador da França marcam uma mudança significativa no panorama político da Europa. Napoleão personifica o novo espírito republicano que ameaça o poder dos monarcas do Velho Continente, e a resposta de monarquias tradicionais como as da Rússia, Áustria e Inglaterra veio na forma de uma coalisão, em 1805, para derrotar o avanço das tropas napoleônicas em três frentes de combate. No ano seguinte, Napoleão decreta um embargo continental à Inglaterra, declarando-se em estado de guerra com qualquer nação europeia que venha a manter relações comerciais com os britânicos. A escolha soberana da Rússia de desrespeitar tal ingerência francesa foi um dos principais motivos para a guerra entre esses dois países em 1812.

O autor apresenta sua vasta pesquisa histórica sobre tais acontecimentos, que incluiu visitas aos locais de batalha e entrevistas com historiadores russos e franceses, entremeada com a vida de quatro famílias da aristocracia moscovita - os Bezukhov, os Rostov, os Bolkonski e os Kuragin - e, mais particularmente, com três personagens principais que irão conduzir o olhar do leitor sobre a guerra: Pierre Bezukhov, o generoso e tímido intelectual que, como filho bastardo, herda a fortuna de seu pai; o príncipe Andrei Bolkonski, ambicioso e inteligente filho de um comandante militar reformado; e Natasha Rostov, a ingênua e sonhadora condessa que será o interesse amoroso de Andrei e Pierre ao longo da trama. A história do livro cobre o período de 1805 a 1820, mas o ano em que a trama mais se deterá é o de 1812 - data que marca a libertação da Rússia da ameaça napoleônica, o ano coincide também com a mudança de visão dos personagens centrais da obra, refletindo a própria renúncia russa à influência cultural francesa dominante na aristocracia.

Mais recente tradução para o inglês
Esses temas são apresentados pelo autor de forma orgânica e supreendentemente sucinta - no sentido de que há pouco em sua obra que possa ser extraído sem que se perca informações importantes sobre os temas maiores abordados pelo romance. Entre desencontros amorosos e outras voltas da roda da fortuna, Tolstói usa seus três personagens centrais como metáforas dessa Rússia que renasce: Pierre representa a intelectualidade russa cujos olhos estavam voltados para a França como centro da cultura europeia e que precisa romper com essa subjugação cultural para se tornar, de fato, russa - o nome francês do personagem é um sinal preponderante dessa metáfora, e o movimento de Pierre, de uma vida urbana e aristocrática para uma existência no campo, mais próxima dos camponeses e servos, mostra uma Rússia que precisou resgatar suas origens para se reconstruir; Natasha, ícone no livro de uma realeza um tanto imersa ainda nas ideias românticas e alienada em relação à vida russa, também fará essa trajetória em direção às raízes populares, marcada pela cena, no livro, em que está foragida no campo e participa de uma dança camponesa como se sempre tivesse sabido como dançá-la, uma espécie de memória genética de seus antepassados; Andrei é a Rússia impetuosa, guerreira e racionalista que precisa aprender os valores do perdão e da humildade. Tolstói marca essa trajetória russa com as mudanças que esses três personagens sofrem durante a Invasão Napoleônica: Pierre, o intelectual apaixonado pelo bonapartismo, perambula, depois de ter presenciado os horrores da guerra, pelas ruas da Moscou em chamas e acredita-se com a missão divina de assassinar Napoleão; Andrei, ferido em combate, depois de presenciar uma batalha distante da guerra sanitarizada que a formação militar lhe apresentara, aprende o valor do perdão ao presenciar, no leito ao lado do seu, a morte de seu rival no amor de Natasha; a jovem condessa, por sua vez, é confrontada com o sofrimento real do povo e aprende o valor do desprendimento ao ver as carruagens abarrotadas dos objetos da família, prontas para a partida, e um grupo de soldados feridos que iria permanecer em Moscou à espera das tropas francesas, por não ter como se locomover - e é por iniciativa caridosa da jovem que móveis e quadros são deixados para trás, para que nas carroças sejam acomodados os feridos e levados para o campo em companhia dos Rostov. Se Andrei é o intelecto, a disciplina e o orgulho russos, Pierre representará o espírito, a espontaneidade e a generosidade. Entre esses dois lados quase opostos, Natasha, uma quase personificação dessa Rússia que retorna às suas raízes, ao que lhe torna única, será levada a escolher.

O campo, a terra russa, aparecem em Guerra e Paz como o caminho de redenção para o povo russo. O incêndio de Moscou, provocado como estratégia de guerra para que Bonaparte não tivesse como se manter na capital russa sem recursos e suprimentos, funciona no livro como um fogo sagrado que aproxima os moscovitas do campo aberto ao forçá-los a se refugiarem nas áreas rurais. Essa retirada para o campo fará com que a aristocracia moscovita, obrigada a viver com menos luxo e mais próxima de seus servos, aprenda o valor dessas pessoas e sua condição de iguais. Há uma razão importante para que Tolstói assim retrate aquele período histórico, ainda que a construção de uma nova Rússia tenha sido um processo que tomou, em verdade, algumas décadas: ele escreve o livro no momento em que, na Rússia, as grandes mudanças do tzar Alexandre I estão em andamento, dentre elas a libertação dos servos, de 1861. Tolstói era um grande defensor da ideia e foi um dos pioneiros a oferecer educação para as crianças filhas dos servos de sua propriedade, algo que o personagem Pierre também fará. O jovem Bezukhov, aliás, é o que melhor representa no romance essa Rússia aristocrática que, diante dos horrores da guerra, aprendeu a respeitar o heroísmo vestido de simplicidade dos camponeses e servos mais humildes.

Uma rara fotografia do autor,
 poucos anos antes de sua morte em 1910
.
A preocupação de Tolstói em dar voz aos humildes reflete-se na maneira como trata suas personagens. Em Guerra e Paz, elas são cerca de quinhentos e oitenta, entre ficcionais e históricas, como Napoleão Bonaparte e Alexandre I. Mas todas aparecem na história com alguma referência a um passado, ou a algo que as individualiza. Não há tipos na galeria de personagens de Tolstói, e mesmo o tratamento dado por ele aos seus personagens centrais é distinto - eles são factíveis, tem paixões questionáveis e fazem escolhas erradas que desencadeiam terríveis consequências no decorrer da história. Uma história que por vezes beira o inverossímil, já que Tolstói não se preocupa em evitar as casualidades que unem, por exemplo, em uma mesma cena de batalha com milhares de soldados dois antigos rivais que se encontram por força do acaso. Mas o enredo múltiplo dá à obra de Tolstói coerência e aceitação da parte do leitor, que pelo interesse despertado por aqueles personagens acata as coincidências como outra possibilidade da vida ali descrita. É o tratamento psicológico dado a esses episódios que lhes confere a carga simbólica e o cabedal de memórias que cada nova cena suscita, cativando o leitor.

Tolstói era um aristocrata e viveu sua juventude intensamente, iniciando estudos universitários em Direito e em Línguas Orientais, mas sem seguir adiante em nenhuma dessas áreas. Como acontece com os personagens principais de Guerra e Paz, sua vida é transformada ao se deparar com os horrores da guerra - é de sua experiência como militar na Guerra da Criméia que Tolstói consegue descrever com tamanho realismo o caos dos campos de batalha, sensação compartilhada com Pierre Bezukhov, seu quase alter-ego na obra. Pode-se observar na biografia de Tolstói também ecos do movimento de migração da vida urbana para o campo pelo qual passa boa parte dos aristocratas retratados no livro. Sem ser autobiográfico, o autor de Guerra e Paz transforma sua visão de mundo em arte nas descrições precisas e nos sentimentos profundamente humanos a partir dos quais seus personagens são retratados. É isso que torna o livro uma obra-prima do gênero romanesco, um livro que, segundo Simon Schama, "não é um livro apenas para ser lido, mas para ser vivido".

*Texto de Robertson Frizero - escritor, professor de Criação Literária e Mestre em Letras pela PUCRS.